Uma estrela morreu.
Há muito tempo atrás, uma estrela morreu. Mas não pense que
ela morreria assim, em silêncio, retirando-se em si mesma, a aposentadoria
gloriosa dos corpos celestes. Ah, não. Essa estrela, soberba em sua existência,
não iria se despedir sem deixar sua marca na cruel história do universo.
Quando ela morreu, foi o espetáculo mais terrivelmente belo
de toda a criação. E com isso, selou para sempre o destino de uma pequena pedra
muito distante dali.
É até irônico pensar em como a humanidade estava condenada
antes mesmo de nascer. Tudo, as guerras, as vitórias, o choro e o amor que
vivenciaram; tudo o que fizeram nesse piscar de olhos que foi a tal da “grandiosa
jornada humana” aconteceu na antessala de seu cadafalso.
Mas nós sobrevivemos.
Órfãos e famintos, nós sobrevivemos.
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